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segunda-feira, 2 de julho de 2012

A ilustração do semeador

     Jesus apresentou a ilustração de um semeador qua lança sementes, registrada nos Evangelhos de Mateus, Marcos e Lucas. (Mateus 13:1-9, 18-23; Marcos 4:1-9, 14-20; Lucas 8:4-8, 11-15) Ao ler os relatos notará que o ponto chave da ilustração é que o  mesmo tipo de semente cai em diversos tipos de solos, produzindo resultados diferentes. Segundo a explicação do próprio Jesus, a semente é a mensagem do Reino, encontrada na Palavra de Deus, e o solo representa pessoas com diferentes tipos de condição de coração.

     O primeiro tipo de solo em que a semente cai fica "à beira da estrada", onde a semente é "pisada". (Lucas 8:5) O solo à beira duma estrada que atravessa um campo de cereais fica compactado pelo tráfego de pessoas (Marcos 2:23) De modo similar, os que permitem que as constantes atividades do dia-a-dia lhe tomem tempo e energia demais, podem descobrir que não lhes sobra tempo para desenvolver apreço de coração pela Palavra de Deus. Eles ouvem a palavra, mas não meditam nela. De modo que seu coração continua indiferente. Tomar tempo para estudar a palavra de Deus e meditar nela pode impedir que o coração se torne um solo improdutivo à beira da estrada. O ponto é não se preocupar demais com as coisas da vida cotidiana. - Lucas 12:13-15.

     Quando a semente cai sobre o segundo tipo de solo, o solo pedregoso, ela cria raízes e brota. Mas depois, quando o sol se levanta, a nova planta é queimada pelo calor do sol e murcha. No entanto, note este pormenor significativo. O motivo real de a planta murchar não é o calor. Afinal, a planta que cresce num solo bom também fica exposta ao sol, mas não murcha. Qual é a diferença? Essa planta murcha, explica Jesus, 'por não ter profundidade de solo' e "porque não tinha umidade". (Mateus 13:5, 6; Lucas 8:6) Uma "rocha", logo abaixo da camada superficial do solo, impede que as raízes penetrem o suficiente para encontrar umidade e estabilidade. Esta parte da ilustração trata de pessoas que "recebem a palavra com alegria" e seguem zelosamente a Jesus "por uma certa época". (Lucas 6:13) Quando ficam expostas ao sol escaldante de "tribulação ou perseguição", perdem a alegria e a força, e desistem de seguir a Cristo. (Mateus 13:21) No entanto, o real motivo disso não é a oposição. Afinal, milhões de discípulos de Cristo suportam várias formas de tribulação, mas continuam fiéis. (2 Coríntios 2:4; 7:5) O motivo verdadeiro de alguns se afastarem é que a insensibilidade do seu coração, comparável a uma rocha, impede que meditem mais profundamente em assuntos edificantes e espirituais. Por isso, o apreço que têm por Jeová e sua palavra é superficial e fraco demais para suportar oposição. A pessoa precisa certificar-se de que não tenha abrigado no seu coração sentimentos persistentes, mas ocultos, comparáveis a obstáculos rochosos, tais como mágoas antigas ou egoísmo. Se já houver tal barreira, o poder exercido pela palavra de Deus pode acabar com ela. - Jeremias 23:29; Efésios 4:22; Hebreus 4:12.

     O terceiro tipo de solo, o que tem espinhos, é de certo modo similar ao solo excelente. Com o tempo, porém, desenvolve-se uma condição que por fim sufoca a planta. Diferentemente do solo excelente, esse solo fica cheio de espinhos. Ao passo que a nova planta se desenvolve, precisa concorrer com 'espinhos que crescem junto com ela' (Lucas 8:7) Que tipo de pessoas se parecem com o solo que tem espinhos? Jesus explica: "Estes são os que têm ouvido, mas, por serem arrebatados pelas ansiedades, e riquezas, e prazeres desta vida, ficam completamente sufucados e não trazem nada à perfeição." (Lucas 8:14) Por darmos prioridade aos assuntos espirituais em vez de a empenhos materiais, evitamos ser sufocados pelas aflições e pelos prazeres deste mundo. (Mateus 6:31-33; Lucas 21:34-36)  Teremos mais tempo para a meditação feita com oração se simplificarmos a vida o mais que pudermos. - 1 Timóteo 6:6-8

     Portanto, certifiquemo-nos de que o solo de nosso coração figurativo nunca fique endurecido, sem profundidade ou sufocado com plantas indesejáveis e assim possa produzir como solo excelente, "este cem vezes mais, aquele sessenta vezes mais, outro trinta vezes mais", segundo nossas circunstâncias. (Mateus 13:23) Porque damos a Deus 'tudo o que temos' - nosso seviço de toda a alma. - Marcos 12:43, 44; Lucas 10:27.
Jeová - Nossa esperança em meio ao pesar
    
     Quando confrontados com intenso sofrimento, talvez fiquemos amargurados. Talvez nossa reação imediata seja nos fazer de vítima, perguntando-nos: "Por que eu?"

       Jeová é o "Deus que dá esperança", mesmo em meio ao pesar. (Romanos 15:13) Este ponto fica claro no livro de Lamentações, escrito pelo profeta Jeremias, em 607 A.E.C.

     No capítulo três de Lamentações, o profeta lamenta suas calamidades, mas também exalta as misericórdias e compaixões de Deus. Assim, analisemos Lamentações 3:1-30.

     Embora Jeremias tivesse sofrido junto com a nação inteira, a experiência não o amargurou. Aceitando o que sobreveio à nação judaica como execução legítima do julgamento divino, não havia dúvida na mente de Jeremias de que Jeová finalmente olharia com favor para os do seu povo arrependido. Dessa maneira, sua reação foi belamente descrita em Lamentações 3:25, 26: "Jeová é bom para com o que espera nele, para com a alma que continua a buscá-lo. É bom que se espere, mesmo silencioso, a salvação da parte de Jeová."

     Portanto, quando passamos por uma experiência penosa, não devemos perder a esperança. As provações tem começo e também tem fim! O Altíssimo nunca permitirá que seus servos fiéis sofram indefinidamente. É por isso que devemos continuar a olhar com  esperança para Jeová Deus em busca de alívio. Talvez tenhamos de esperar 'em silêncio', por não podermos fazer nada para modificar uma situação difícil, não nos queixando dela. Contudo, se estivermos contentes por esperar em Jeová, conseguiremos perseverar tal qual Jeremias e teremos esperança em meio ao pesar.